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Como me curei da LER

LER DORT

Existe uma doença que atinge muitas pessoas que trabalham utilizando computadores. Muitos a conhecem pela sigla LER (Lesão por Esforço Repetitivo), outros por DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho). Seja qual for o nome, o incômodo é o mesmo: uma dor em uma articulação do corpo que é utilizada exaustivamente durante o exercício da profissão.

O problema

No meu caso, e no da maioria das pessoas cuja profissão obriga a viver em frente ao computador, a articulação em questão é o punho. Foram anos, desde a infância, utilizando computador, além de outras atividades paralelas, como minha tentativa de iniciar no violão e na percussão — que fui impedido de continuar devido a LER, intensas redações devido ao pré-vestibular e atuações como goleiro. Com todas essas atividades forçando o punho, não deu outra: LER. A cada início de dor crônica, era uma ou duas semanas de molho, sem poder ter nenhum esforço nessa região. Até eu voltar a fazer tudo novamente, voltando também a dor.

Adotei então como meu companheiro durante essas atividades um tensor — aquela munhequeira que funciona como uma tala para manter a articulação na posição correta. Era só pintar a dor que eu o utilizava, seja para escrever, seja para utilizar o computador. Até que o tensor ajudava a disfarçar a dor, e por isso fiquei utilizando-o por alguns anos — mais precisamente, durante uns quatro anos. Mas a situação ficou insustentável com o decorrer da faculdade de computação que eu fazia.

O tratamento

Procurei então um ortopedista especializado em mão — na verdade, sempre ia a médicos, mas parecia que eles não se interessavam muito no meu caso. Com esse último médico, finalmente descobri o meu problema: sinovite no escafóide (bonito isso, não?), ou seja, uma inflamação no líqüido sinovial em um osso da mão. Ótimo! Já tinha o diagnóstico, agora é só tratar! E lá se foram sessões de fisioterapia. Novos exames, e outro diagnóstico: um cisto na mesma região. Mais fisioterapia, mas o problema persistia: após algum esforço, o cisto voltava a incomodar. Tentei então acupuntura, mais fisioterapia e até infiltração de corticóide. Nada.

A cura

O médico já olhava para mim com cara de pena, não sabendo mais o que fazer. Até que ele deu a última cartada: na sala ao lado, uma médica realizava sessões de terapia de mão — não me pergunte por que ele não havia indicado isso antes. Lá fui eu, desacreditado, para mais uma tentativa. Cada sessão durava trinta minutos, e era dividida em duas etapas: na primeira, realizava-se dez minutos de alongamento em ambas as mãos. Na segunda, realizava-se pequenos exercícios para fortalecer a região, como ficar beliscando massinha de modelar (vocês têm idéia do quanto isso cansa?), movimentos de trancar uma porta e levantamento de pequenos pesos. Na prática, esses exercícios simulavam atividades corriqueiras do nosso dia a dia.

Fiz por um mês essas sessões de terapia de mão, e eu não pude acreditar o quanto esse período foi importante. Em duas palavras: estava curado! O responsável? Acredito que foi o alongamento. Após parar de ir às sessões, continuei alongando o punho como havia aprendido, e aos poucos fui tomando coragem de parar de usar o tensor. Não sentia mais dor, e parecia que eu poderia finalmente escrever e utilizar o computador normalmente. Contudo, havia um porém.

A prevenção

Após acabar com um problema, parece que o ser humano esquece de voltar atrás e refletir sobre o porquê do problema ter aparecido. No meu caso, a LER não surgiu simplesmente pelo esforço repetitivo de um movimento, mas também devido ao esforço repetitivo não respeitando os limites do corpo, seja pelo tempo constante que fiquei realizando o movimento, seja pelo posicionamento do meu corpo durante sua realização.

A palavra-chave era ergonomia (valeu, Thiago!). Utilizava o mouse e o teclado sem deixar as mãos na posição correta — com a parte de cima da mão alinhada com o antebraço. Para solucionar esse problema, troquei o tensor por dois outros companheiros: um apoio de braço para usar o teclado e outro para usar o mouse. O primeiro é uma barra em gel que fica em frente ao teclado, e o segundo muitas vezes é vendido junto com o mouse pad. Vocês podem encontrá-los facilmente em uma loja de informática.

Apoio tecladoApoio mouse

Não se esqueçam de dar um descanso para as mãos após algumas horas de uso do computador e de outra parte do corpo que também sofre muito: o pescoço. Posicione o monitor de forma que o pescoço fique praticamente alinhado com a coluna e não o force a ficar olhando para baixo — estou sofrendo com isso agora.

Conclusão

Para fazer com que a dor sentida devido à LER parasse, adotei duas medidas simples: alongamento e ergometria. Todo dia pela manhã, paro por alguns minutos para alongar os punhos, e tenho em casa e no trabalho os apoios para braços necessários para uma boa postura durante o uso do computador.

Não falei como realizar o alongamento pois acredito que isso deva ser ensinado por uma pessoa mais especializada. Já vi muita gente alongando de forma errada — principalmente quando fica puxando os dedos pra trás. Busque um fisioterapeuta, ou um professor de educação física, pois estes são pessoas mais indicadas para lhe dar tal instrução.

Todas essas dicas dadas foram baseadas em experiência própria, mas o principal conselho é: busque um profissional.


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